Poetisa
Essa vida não é fácil não...
Como aliviar essa tristeza, essa coisa que aperta no peito? Esse nó na garganta vendo as três criança usando roupa e sapato ganhado, enquanto eles vê que as outras criança pode ter as coisa que eles não tem?
Todo dia que Deus me dá eu saio do meu barraco e tento fazer o melhor que posso. Cato as coisa pra vender e, com o dinheiro que consigo, compro o necessário pros rebento se alimentar. Eles num passa fome e até vão na escola, eu já falei pra eles que sem leitura num tem futuro. Quero muito que eles consiga ter uma vida digna.
Eu também tenho um sonho que gostaria de realizar. De noite, quando as criança dorme, eu acendo a lamparina e escrevo umas coisa que ficam presa dentro de mim. Escrevo uns poema e também escrevo um diário, nele conto tudo que eu vejo nessa cidade do meu Deus. Coloco ali o que percebo das pessoa, como elas trata a gente e sobre a diferença da vida que muitos vivem, podendo ter as coisa que nós não pode comprar. Eu queria que as palavra que eu escrevo virassem um livro, pra vender nas banca e nas livraria. Queria que todo mundo pudesse ler o que sinto e coloco no papel toda noite.
Quando os outro me vê passando na rua, eles fala: lá vai a catadora! Mas o que eu queria mesmo é que falasse: lá vai a poetisa! Deve ser bonito ser chamada de poetisa! Poetisa é gente importante. É aquela que escreve as palavra que faz bem ao coração das pessoa.
Essa vida não é fácil, mas quando deposito o peso nos versos, fica mais leve.
* Este texto integra a coletânea "Entre o Orun e o Ayê - Carolina e Abdias"
Imagem: stories.cnnbrasil